Ranking .60

Ranking dos anos 60

Toda vez que a Liga dos Blogues Cinematográficos se reúne para fazer um ranking de uma década, alguém sopra: desta vez, eu não vou conseguir fazer uma lista de 20 mais. Vamos colocar mais. Eu sempre digo não. Desta vez, fui eu quem queria poder votar em mais filmes. Simplesmente porque havia tantos. Foi a década da Nouvelle Vague, do novo cinema italiano, dos western-spaghetti, da maior ficção-científica de todas, dos Hitchcocks mais ousados, dos musicais mais ousados, de um cinema mais ousado. Eu disse não mais uma vez. E mesmo assim, com o poder de voto limitado, a lista dos 20 melhores filmes dos anos 60 só tem filmão.
1 2001: Uma Odisséia no Espaço
(2001: A Space Odissey)
Stanley Kubrick, 1968
765 pontos
30 votos
8 poles
14 pódiuns
“A primeira vez que eu tentei assistir a 2001 não consegui passsar do segundo ato. Na segunda vez, também. Na terceira, quando o filme foi exibido numa tarde na televisão, eu me dispus a vê-lo até o final. Foi uma experiência sublime. Um daqueles momentos em que eu me enchi de entusiasmo e de uma outra espécie de sentimento ou sensação que eu não sei descrever. Depois, tive a oportunidade de ver o filme no cinema, o que exponencializou essas sensações. Falar do filme em si é muito difícil, já que trata-se de uma experiência sensorial e espiritual. Ir em busca de palavras para descrevê-lo é racionalizar, é diminuir a obra. Fiquemos com o silêncio, em respeito ao maior filme do mundo” (Ailton Monteiro).
2 Era Uma Vez no Oeste
(C’era una Volta il West)
Sergio Leone, 1968
627 pontos
27 votos
4 poles
6 pódiuns
“Era uma vez no cinema: um italiano que dirigia filmes de gladiadores começa a fazer westerns italianos com um ator americano desconhecido, assinando o filme como Bob Robertson e trabalhando com um compositor que tinha sido seu colega de escola. Larga o pseudônimo com o sucesso do primeiro western e faz mais dois, botando o eterno coadjuvante Lee van Cleef em papéis de destaque e criando duelos tríplices e outras estripulias. Não satisfeito, depois transforma o bom-moço Henry Fonda, seu ator preferido, num vilão implacável, manda Ennio Morricone compor a música antes de se rodar um plano sequer, não resiste e filma um pouco no Monument Valley, cria uma lendária e longa cena de abertura em que nada acontece, põe Charles Bronson no papel principal com sucesso e dirige um western mítico, conjugando com maestria grandes planos gerais com inesquecíveis closes em que um olhar preenche toda a tela. Era uma vez a magia do cinema de Sergio Leone” (Marcelo Rennó).
3 Psicose
(Psycho)
Alfred Hitchcock, 1960
569 pontos
24 votos
nenhuma pole
8 pódiuns
Psicose é talvez o mais famoso filme do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Não é seu melhor, mas é certamente um de seus mais marcantes, coesos e ousados. Poucos são aqueles que têm coragem de matar sua protagonista com apenas 40 minutos de projeção e ainda imortalizar tal cena, com elementos intrigantes – uma trilha sonora que ficou para a história, movimentos sutis de câmera que culminam numa cara de horror e num grito perfurante, a conquista do âmago da personagem central ao adentrar no seu momento íntimo e a descoberta posterior -, e questionar outras maneiras de suspense. Hitchcock mitifica o hotel à beira da estrada e a personagem do psicopata – Norman Bates, o psicótico edipiano, fruto de uma visão de Freud que coloca o interior a frente do exterior -, a quem desvenda a alma e a loucura, causando sentimentos antagônicos e surpreendentes. Hitchcock é o que é porque reinventou o suspense. Quem se importa com quem é o culpado? Há muito mais por trás…” (Gabriel Carneiro).
4 Os Pássaros
(The Birds)
Alfred Hitchcock, 1963
440 pontos
21 votos
nenhuma pole
2 pódiuns
“Foi apenas na terceira vez que eu percebi porque Alfred Hitchcock nunca foi tão urgente quanto aqui. Em Os Pássaros, o mais sensorial – e aquele que não tem par – entre seus filmes, ele não dá trégua para o espectador. É uma das poucas vezes em que não há motivos, não há culpados, não há explicações. Há o estímulo do corpo, há o visceral, há a fúria da Natureza de quem Hitchcock sempre se esquivou com suas histórias cerebrais, humanas, urbanas. Mesmo quando é o mesmo cineasta de sempre, em suas adoráveis obsessões estéticas e formais, ele não permite alento. Assistir ao filme é uma experiência radical, impiedosa, sem concessões. Eu havia sido maltratado por duas horas e não tive direito a redenção ou revanche. Mas queria mais” (Chico Fireman).
5 Persona/Quando Duas Mulheres Pecam
(Persona)
Ingmar Bergman, 1966
428 pontos
20 votos
1 pole
3 pódiuns
“Como um sonho: Persona expõe suas personagens através de monólogos que sugam a nós, espectadores, para dentro da complexidade de um ser humano: seu silêncio, seus sacrifícios e seus maiores pecados. Assombrando e sufocando” (Pips).
6 O Anjo Exterminador
(El Angel Exterminador)
Luis Buñuel, 1960
421 pontos
20 votos
nenhuma pole
2 pódiuns
“Reza a lenda que, em um certo Natal, Charlie Chaplin convidou Luis Buñuel para ir à sua casa. O espanhol chegou, derrubou a árvore, pisou nos presentes e foi embora, dizendo que aquilo era burguês demais. O espírito presente neste ato dá o tom de O Anjo Exterminador, no qual o mais puro surrealismo é destilado contra o inimigo de Buñuel, a burguesia. Além de ser uma feroz crítica social, o filme é um pleno exercício de cinema criativo, inovador e sem medo de transpor barreiras. Com aparições memoráveis de ursos, carneiros, entre outros animais, representa o ápice da arte de um dos maiores cineastas da história” (Carlos Massari).
7 Blow Up – Depois Daquele Beijo
(Blow Up)
Michelangelo Antonioni, 1966
421 pontos
19 votos
1 pole
4 pódiuns
“Em Blow Up, as questões relativas à objetividade-subjetividade são discutidas em um contexto de geração de imagens – seja no campo do tema (fotografia), que se constitui em objeto do filme; seja no território do dispositivo criado pelo próprio diretor, que coloca em xeque o estatuto do cinema. Ao contar o mistério que irrompe em Thomas (personagem de David Hemmings), que é um fotógrafo de moda na Londres da década de 60, Antonioni discute a natureza da imagem e amplia o foco do seu filme para além da história de um fotógrafo que pensa ter visto/descoberto um assassinato. Assim, da seqüência da montagem das fotos (em que Thomas usa a imagem para contextualizar a própria imagem) à última cena (em que os mímicos jogam e observam uma partida de tênis), entra em jogo não apenas a (re)educação do olhar do fotógrafo, mas a do espectador que, ao final, passa também a duvidar do que vê e, conseqüentemente, do que algum dia já viu e/ou verá no cinema” (Marcos A. Felipe).
8 O Homem Que Matou o Facínora
(The Man Who Shot Liberty Valance)
John Ford, 1962
420 pontos
20 votos
nenhuma pole
nenhum pódium
“Bem, já faz muito tempo, mas lembro de um homem de bem se aproximando do facínora (crápula ou sicário também servem) para matá-lo. Quer dizer, lembro também de alguém escondido, que talvez tenha atirado. Se bem que este não era um homem tão correto assim, já tinha matado índios e viajado com prostitutas e bêbados. Os americanos inventaram o oeste para poderem se inventar; Ford inventou e reinventou. Os franceses, que eram loucos por western sem terem a menor noção do que era o oeste, já tinham avisado. Se bem que Ford não era dos preferidos, ou era? Enfim, não lembro direito, mas algo me diz que, se a memória não bate com a história, deve-se publicar a memória e deixar as certezas para uma outra época” (Milton do Prado).

9 Fellini Oito e Meio
(Fellini 8½)
Federico Fellini, 1963
420 pontos
18 votos
2 poles
4 pódiuns
“A sensação de anestesia é progressiva; o prazer infinito a cada cena, a cada lance de genialidade, a cada nova invenção. Não se trata de um filme autobiográfico, mas de uma obra introspectiva, uma profunda viagem dentro de lembranças das mais pueris, recordações marcantes, momentos completamente inesquecíveis. Quem nunca teve aqueles pensamentos completamente insanos, uma aglutinação de possibilidades inverossímeis, misturando alhos com bugalhos? Fellini nos oferece, em plena fase de bloqueio criativo, um filme capaz de mergulhar no ponto mais denso do subconsciente. Fellini é surreal, metafórico, o senhor dos devaneios, um cineasta mágico. E dessa magia nos lambuzamos em seus sonhos, saboreando sua essência. Fellini filmou a arte de fazer cinema e nos ofereceu um retrato da vida com todas as inseguranças, dificuldades, medos e pressões. Fellini um mago da criatividade” (Michel Simões).

10 O Desprezo
(Le Mépris)
Jean-Luc Godard, 1963
395 pontos
17 votos
3 poles
4 pódiuns
O Desprezo, uma grande produção pensada como veículo para Brigitte Bardot, que serve como ponto de partida para uma reflexão sobre a relação entre clássico e moderno, cinema e poder, homem e mulher. É um filme construído todo a partir de uma idéia de tradução, de um encontro de línguas, culturas, pontos de vista que precisam ser mediados. É o filme mais humilde de Godard – é quase convencional para os padrões godardianos – e também o mais ambicioso da primeira fase de sua obra. Tanto uma elegia para o cinema que acaba, como um caminho para outro que se iniciava. E no meio de tudo isso há Fritz Lang, interpretando a si mesmo, dirigindo uma versão de A Odisséia que ele sabe vai ser destruída pelos produtores. Nenhum cineasta fora filmado com tamanho respeito e admiração por um colega. Godard é um destes cineastas cujo conjunto da obra é bem maior do que os filmes individuais. O Desprezo é a exceção, um filme quase perfeito” (Filipe Furtado).
11 Terra em Transe
(Terra em Transe)
Glauber Rocha, 1967
360 pontos
16 votos
nenhuma pole
2 pódiuns
“Uma grandiosa ópera sobre o Brasil. Numa espécie de resposta ao golpe militar, Glauber pensa a política brasileira do século XX por intermédio de referências ao século XVI e XVII; propondo revisões do ideário da direita golpista e da esquerda romântica e populista; e construindo uma alegoria fascinante de máscaras de posturas políticas. Entre a repressão e o gesto isolado de resistência, o poeta Paulo Martins, ferido de morte, revê sua trajetória política e a do país, mergulhando num grande flashback agonizante de explicações, imprecisões, e delírios. O poeta ama Sara, respeita Diaz, manipula Fuentes, constrói Vieira. É a decadência do ocidente, é a revolta contra os preconceitos e preceitos da burguesia, contra as flores do estilo da poesia, é a necessidade de transformar todos os mundos. Numa fala que de certa maneira sintetiza a problemática do protagonista e do filme, Sara afirma: ‘um homem não pode estar assim dividido. A política e a poesia são demais para um só homem‘” (Júlio Bezerra).
12 Uma Mulher para Dois
(Jules et Jim)
François Truffaut, 1961
343 pontos
15 votos
4 poles
5 pódiuns

“‘As pessoas se conhecem, se reconhecem, perdem-se de vista e perdem-se novamente. Procuram-se e separam-se, no turbilhão da vida‘. Os versos traduzidos livremente são da canção Le Tourbillon, de Cyrus Bassiak, interpretada por Jeanne Moreau num dos momentos antológicos – e são tantos – de Jules et Jim, terceiro filme de François Truffaut. Muito se pode falar a respeito dessa que é considerada uma das mais bem-sucedidas adaptações cinematográficas de uma obra literária. Eu prefiro pensar que o romance de Henri-Pierre Roché só se tornou imortal graças ao gênio de um cineasta capaz de transformar os escritos de um jovem de 76 anos, encontrados num sebo parisiense por acaso, em pura magia. Um filme considerado, por muitos, a síntese dos postulados da Nouvelle Vague” (Guilherme Lamenha).

13 Três Homens em Conflito
(Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo)
Sergio Leone, 1966
341 pontos
16 votos
1 pole
3 pódiuns
“Tinha tudo para dar errado: os três atores principais eram fracassados em Hollywood, um diretor que havia sido demitido por incompetência e um trilheiro que odiava cinema e adorava música atonal. Não no caso de Três Homens em Conflito. O roteiro podia ser confuso, mas a maneira delirante, virtuosa e operística usada por Sergio Leone para filmar acabou dando sentido a tudo. Os personagens eram unidimensionais, mas os atores eram tão carismáticos e estavam tão bem escalados que acaba funcionando. E se havia algum defeito a mais, a música era tão boa que acabava hiponotizando o espectador. Nasce uma obra-prima, mas isso só foi reconhecido anos depois. Roger Ebert, por exemplo, descreveu-o como um filme sensacional, mas deu-lhe apenas três estrelas, pois um spaghetti western não devia ser tão bom assim. O tempo passou, e o que era considerado diversão pretensiosa acabou sendo reconhecido como um marco na história do cinema, e seu diretor elevado a mestre” (Thomaz Albornoz).

14 O Dêmonio das Onze Horas
(Pierrot Le Fou)
Jean-Luc Godard, 1965
339 pontos
13 votos
3 poles
8 pódiuns
“Mais complicado do que escrever um parágrafo sobre a sessão de cinema mais importante e emocionante da minha vida é tentar definir a explosão de O Demônio das Onze Horas sem recorrer à saída fácil de enumerar, por exemplo, os tantos gêneros que Godard empilha, usa, descarta, satiriza (e há muitos: os musicais, as fitas de gângsters, o road movie) – ou sem notar a forma obsessiva como o diretor evita um cinema simétrico, completo nele mesmo. Mas o que me impressionou com mais intensidade no filme, e naquela sessão inesquecível, foi perceber que, antes de um ensaísta fundamental de cinema, Godard também é um ás do espetáculo. E se há uma avalanche de idéias a ser explorada em repetidas revisões, que ninguém esqueça do impacto que estas imagens provocam em quem as encontra pela primeira vez. Um efeito de hipnose e deslumbramento que (por razões que compreendo) o diretor não quis repetir. Mas que continua lá, intocado, nesta obra-prima que nunca envelhece” (Tiago Superoito).
15 O Ano Passado em Marienbad
(L’Année Dernière à Marienbad)
Alain Resnais, 1961
328 pontos
14 votos
1 pole
4 pódiuns
“Raro filme que se passa na mente, na memória, no pensamento dos personagens (ou nos nossos?), esse Ano Passado não tem começo nem fim, não é linear e nem se explica em termos de ontem, hoje ou amanhã. É tudo um agora confuso, que parece ir e vir. E tal qual nossa mente faz vez por outra, os diálogos são entrecortados, às vezes repetindo-se como mantra, às vezes soando como filme mudo, às vezes como nada, às vezes como tudo. Frases partidas, imagens idem. A câmera passeia pelo vazio/cheio/longo/louco hotel-castelo, e pelos seus jardins desenhados, pelas estátuas de não sabemos quem, por pessoas jogando cartas, congeladas em instantâneos de si mesmas. E nesse ir e vir uma história vem e vai, sendo parte memória, parte ilusão, parte agora, parte não. E finalmente, parte nós mesmos. Parte o que nós pensamos e interpretamos do que vemos, ouvimos e sentimos. E amamos” (William Wilson).

16 Dr. Fantástico
(Dr. Strangelove or How I Learnt to Stop Worrying and Love the Bomb)
Stanley Kubrick, 1964
321 pontos
17 votos
nenhuma pole
nenhum pódium
“De quem ganhou a alcunha de diretor frio e sério, é de se surpreender que Kubrick conseguiria a perfeição que sempre buscou (também) em sua primeira (e única) aproximação ao gênero humorístico. Dr. Fantástico é uma fantasia surrealista, irônica e anárquica que se diverte, sem concessões, com a psicose coletiva de uma geração atormentada pelo perigo de uma guerra nuclear. Kubrick espanta os fantasmas com a força do riso, alterna farsa e drama, comédia e reflexão, crítica ácida e admirável domínio técnico para narrar essa delirante odisséia imaginativa desenvolvida em apenas três cenários minuciosamente construídos e com interpretações caricaturais notáveis de George C. Scott e do versátil Peter Sellers” (Rudá Lemos).

17 O Bebê de Rosemary
(Rosemary’s Baby)
Roman Polanski, 1968
304 pontos
16 votos
nenhuma pole
1 pódium
“Só mesmo um cineasta subversivo (ao menos era, na década de 1960) como Roman Polanski para transformar o momento mais importante da vida de uma mulher em um pesadelo angustiante e perturbador como é O Bebê de Rosemary. Presença certa em todas as listas dos melhores representantes do horror de todos os tempos, é um filme claustrofóbicos, cheio de climas estranhos, cenas inesquecíveis e um final apoteótico que, apesar de causar decepção em muita gente, não deixa de possuir uma estranha beleza e de causar incômodo. Polanski sabia que, na maioria das vezes, o não mostrado, o não dito, ou seja, o poder da sugestão são muito mais assustadores do que sustos e sangue. E ainda tem Mia Farrow, desesperadamente frágil, no papel de sua vida” (Wallace Guedes).
18 O Bandido da Luz Vermelha
(O Bandido da Luz Vermelha)
Rogério Sganzerla, 1968
266 pontos
12 votos
nenhuma pole
1 pódium
“Em meio as minhas pesquisas dos anos 60 para minha dissertação, encontrei no cinema, uma incrivel força motora de resistência ao que se vivia naquela época. E se já era pura ousadia dizer que o sertão viraria mar, pra mim a troca da subversão pela transgressão onde se adota lemas de avacalhação e esculhambação é o que mais fazia sentido na minha fome de procurar uma identidade no cinema. Desloca-se do sertão e nos traz ao universo urbano, transformado pela presença western, um bandido cheio de vozes anárquicas internas que banhado à Hawks, Godard e Welles ampliariam minha visão sobre o cinema em seu limite libertando meus olhos para compreender sua vertente moderna” (Vebis Jr).
19 Deus e o Diabo na Terra do Sol
(Deus e o Diabo na Terra do Sol)
Glauber Rocha, 1964
252 pontos
12 votos
1 pole
2 pódiuns

Deus e o Diabo na Terra do Sol é o marco principal de um discurso que visava, em primeira instância, dialogar e exigir um posicionamento fundamentado do espectador em relação aos valores em voga no início da década de 60. É um filme onde a conjugação entre política e poesia se converge, há o debate de vários aspectos sócio-políticos, dentre estes a miséria e a religião como fatores alienativos que levam ao desespero e mais tarde ao fisiologismo, retrato fiel da vida rural do país. Deus e o Diabo na Terra do Sol possui uma estética inovadora e fascinante, fazendo ótimo uso da luz natural e do ambiente árido do sertão para contar uma história onde o embate entre interesses dispersos se efetiva. A câmera na mão de Glauber, aliada à música de cordel, a intensidade de Villa-Lobos e o intuito de deflagrar atenção às entranhas de um Brasil antes desconhecido tornam ainda mais indispensável esta obra-prima do cinema, que merece ser vista e discutida, sempre” (Samuel L.).

20 O Leopardo
(Il Gattopardo)
Luchino Visconti, 1963
240 pontos
10 votos
nenhuma pole
2 pódiuns
“O príncipe Salina encara a finitude e deixa uma lágrima solitária escorrer; não por medo, mas talvez por compreender que a falta de humildade é um mal eterno, que assola a raça humana, mais do que a leopardos e leões ou chacais, macacas e ovelhas. Ao se ajoelhar e pedir à fiel estrela por uma outra perenidade, agiganta-se? De qualquer forma, encerra um filme gigantesco (Marcelo V.)”.

Ranking dos anos 60: 21º – 50º

21 Lawrence da Arábia (David Lean, 1962)
239 pontos – 11 votos – 1 pole – 3 pódiuns

22 A Primeira Noite de um Homem (Mike Nichols, 1967)
229 pontos – 11 votos – 2 poles – 2 pódiuns

23 O Processo (Orson Welles, 1962)
227 pontos – 12 votos – nenhuma pole – 1 pódium

24 Acossado (Jean-Luc Godard, 1960)
209 pontos – 10 votos – nenhuma pole – 3 pódiuns

25 A Doce Vida (Federico Fellini, 1960)
197 pontos – 11 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

26 A Noite dos Mortos-Vivos (George A. Romero, 1968)
185 pontos – 10 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

27 Rocco e Seus Irmãos (Luchino Visconti, 1960)
182 pontos – 10 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

28 Meu Ódio Será Tua Herança (Sam Peckinpah, 1969)
181 pontos – 9 votos – nenhuma pole – 2 pódiuns

29 A Aventura (Michelangelo Antonioni, 1960)
169 pontos – 7 votos – 1 pole – 2 pódiuns

30 Hatari! (Howard Hawks, 1962)
165 pontos – 7 votos – 1 pole – 3 pódiuns

31 A Noite (Michelangelo Antonioni, 1960)
164 pontos – 8 votos – nenhuma pole – 1 pódium

32 O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, 1962)
161 pontos – 8 votos – nenhuma pole – 2 pódiuns

33 Alphaville (Jean-Luc Godard, 1965)
150 pontos – 7 votos – nenhuma pole – 1 pódium

34 Beijos Proibidos (François Truffaut, 1968)
130 pontos – 6 votos – nenhuma pole – 1 pódium

35 Os Guarda-Chuvas do Amor (Jacques Demy, 1964)
130 pontos – 7 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

36 A Bela da Tarde (Luis Buñuel, 1967)
124 pontos – 7 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

37 O Beijo Amargo (Samuel Fuller, 1964)
117 pontos – 6 votos – nenhuma pole – 1 pódium

38 O Sol é para Todos (Robert Mulligan, 1962)
112 pontos – 7 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

39 Bonequinha de Luxo (Blake Edwards, 1961)
111 pontos – 5 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

40 Repulsa ao Sexo (Roman Polanski, 1965)
110 pontos – 6 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

41 Faces (John Cassavetes, 1968)
105 pontos – 4 votos – 1 pole – 2 pódiuns

42 Fahrenheit 451 (François Truffaut, 1966)
105 pontos – 4 votos – nenhuma pole – 1 pódium

43 Butch Cassidy (George Roy Hill, 1969)
105 pontos – 6 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

44 O Terror das Mulheres (Jerry Lewis, 1961)
100 pontos – 5 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

45 Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder, 1960)
99 pontos – 6 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

46 O Evangelho Segundo São Mateus (Pier Paolo Pasolini, 1964)
97 pontos – 5 votos – nenhuma pole – 1 pódium

47 Paixões que Alucinam (Samuel Füller, 1963)
96 pontos – 5 votos – nenhuma pole – 1 pódium

48 Minha Bela Dama (George Cukor, 1964)
96 pontos – 5 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

49 Andrei Roublev, o Artista Maldito (Andrei Tarkovsky, 1966)
92 pontos – 5 votos – nenhuma pole – nenhum pódium

50 Badaladas à Meia-Noite/Falstaff (Orson Welles, 1966)
91 pontos – 4 votos – nenhuma pole – 2 pódiuns

3 opiniões sobre “Ranking .60”

  1. Mesmo parecendo muito pevisível, poderiam constar na lista “No calor da Noite, A Noviça Rebelde” e o brasileiro “Vidas Secas” e continuam lisonjeando muito o “Psicose” e “O bebê de Rosemary” até hoje nunca entendi o por que.

  2. bruno fabiano disse:

    alguém já viu um filme que um cara que é assaltante e separado da mulher passa um dia lá na casa dela e leva os trtes filhos dele e acaba ensinando e forçando eles a roubarem também, os quatro vão para o deserto fugindo da polícia um dos filhos acaba morrendo em troca de tiros e outros vão presos e o pai morre seco no deserto tentando fugir? acho que esse filme deve ser de + ou – 1960 a 1970, por favor me ajudem.

  3. bruno fabiano disse:

    alguém já viu um filme que um cara que é assaltante e separado da mulher passa um dia lá na casa dela e leva os trtes filhos dele e acaba ensinando e forçando eles a roubarem também, os quatro vão para o deserto fugindo da polícia um dos filhos acaba morrendo em troca de tiros e outros vão presos e o pai morre seco no deserto tentando fugir? acho que esse filme deve ser de + ou – 1960 a 1970, por favor me ajudem….

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