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O fascínio que a obra de Howard Hawks exerce sobre nós se deve a certa dubiedade intrínseca à forma como ele filma. A rigor, é uma direção simples, com a câmera a uma distância igualitária em relação ao espectador, no sentido de colocar os atores diante do nosso olhar como se estivéssemos de frente para eles, no mesmo recinto (“a câmera à altura do homem”, como descreve o crítico Inácio Araújo). As mudanças de planos ocorrem sempre de maneira pontual e funcional. Mesmo nos momentos em que outros diretores poderiam recorrer a um sentimentalismo evidente, ele prefere um olhar direto para as emoções que estão em jogo, sem filtros. Nessa simplicidade, porém, reside o grande mistério do cinema de Hawks: ele se interessa apenas pela questão humana e mergulha em sua complexidade. Daí usa dos mais diversos gêneros (faroeste, comédia, terror, policial, aventura, romance) para criar narrativas que servem ao propósito de engrandecer seus protagonistas ao fazê-los se revelarem, se descobrirem. É um cinema de desbravamento. Nosso ranking não foge do ecletismo da obra de Hawks e contém representantes dos diversos gêneros que ele trabalhou. A lista ainda foi elaborada no momento em que Belo Horizonte recebe a mostra Howard Hawks Integral, que pela primeira vez traz ao Brasil todos os filmes que levam a assinatura do cineasta.
Renato Silveira



Olhando os créditos, a garantia que nada poderia dar errado: Hawks emendando sucesso atrás de sucesso; Roteiro de William Faulkner baseado livremente em livro de Ernest Hemingway; Humphrey Bogart, no auge, como protagonista. Nada disso, porém, salta aos olhos como o rosto de Lauren Bacall, estreando aos 19 anos, que rouba o filme com seu estilo sensual, ensinando uma plateia há quase 70 anos como assobiar direitinho.
Mateus Nagime



Algo que a câmera de Howard Hawks não encontra em LEVADA DA BRECA é a sanidade. Olhamos para qualquer personagem e não encontramos o atributo. Ainda reinava a sobriedade no cinema americano e o fracasso do filme evidenciou a falta de costume do público em sua época com essa inversão de valores imposta, mas a relevância que a produção ganhou nas décadas seguintes denota o pilar que é para o gênero de comédia.
Daniel Pilon



Talvez a segunda melhor comédia de Hawks (perderia para SUPREMA CONQUISTA), tem seu protagonista sempre como um peixe no anzol. Muito sexual, repleta de símbolos e ironias (a começar pelo ponto de interrogação no título original). E cresce quando se afasta da verossimilhança: um urso passeia de mobilete, Rock Hudson corre sobre as águas e entramos em um filme “antigo” sempre que os protagonistas se beijam…
Marcelo Valletta



Eclético como poucos (fez clássicos de vários gêneros), Howard Hawks também insistia em vários filmes com a camaradagem como tema central, mas os fazia sem ser repetitivo. EL DORADO pode não ser de grande originalidade (é uma refilmagem escancarada de RIO BRAVO), mas é uma delícia de filme, contando com Robert Mitchum, o então novato James Caan, e um John Wayne ferido como nunca, e letal como sempre.
Marcelo Rennó



A ideia de Howard Hawks de reimaginar a sátira a imprensa de A PRIMEIRA PAGINA como uma comédia de recasamento segue um dos mais inspirados momentos de imaginação cômica de todo o cinema. Seus diálogos rápidos sobrepostos, únicos no período, levam toda a fama, mas é o olhar cortante de Hawks para a batalha de desejos do ex-casal em meio a um ambiente maluco e competitivo que tornam JEJUM DE AMOR num filme especial.
Filipe Furtado



Noir clássico do talvez mais eclético diretor do cinema, À BEIRA DO ABISMO é um filme que prende o espectador do primeiro momento até o final. Menos sobre resultados e mais sobre métodos, essa história de chantagem e assassinatos tem tantas reviravoltas e surpresas que pode parecer um pouco confusa, mas impressiona pelo ritmo, pela química entre Bogart e Bacall e, principalmente, pela precisão dos diálogos afiados.
Cecília Barroso



HATARI! é o filme-síntese de Howard Hawks, onde, já consolidadas as suas constantes temáticas e estilísticas, satifaz, como escreveu François Truffaut, dois prazeres: O prazer do cinema e o prazer da caça. Grupo constituído de homens de várias nacionalidades está na África para caçar animais para os zoológicos. Assim como em RIO BRAVO e outros filmes, é a espera que fundamenta a escrita hawkisiana em função da observação de comportamentos. E o homem, como sempre, é quem determina as suas ações. Obra-prima!
André Setaro



Ao lado de RASTROS DE ÓDIO o maior faroeste da era clássica. É uma história amarga sobre uma travessia dolorosa que se transforma em obsessão, medo e ódio e que em última instância é uma releitura rural do eterno confronto entre o velho e o novo. Hawks conduz a produção com elegância, usando da presença bruta de John Wayne e da vivacidade de Montgomery Clift. Uma obra de arte que sobrevive a gerações.
Alexandre Landucci



Um grupo de pessoas em torno do serviço de aviação postal num país da América do Sul é o microcosmo da vez, o que interessa a Hawks ao descortinar os focos de amor e amizade/inimizade que surgem dali. Pode não existir um conflito maior que permeia toda a história, mas é naquele ambiente quase exótico que o personagem de Cary Grant, durão dessa vez, precisa lidar com as intempéries das relações pessoais e passionais.
Rafael Carvalho



Em RIO BRAVO, o tempo e o lugar não são tão importantes. Nem a história. Aliás, de propósito, Hawks quis fazer o filme sem história bem definida. Trata-se de um filme de personagens. John Wayne aparece, não como sujeito amargo e consumido de ódio como em RASTROS DE ÓDIO, mas como um autêntico herói hawksiano de grande coração, e que deve permanecer duro e inabalável diante das dificuldades da vida.
Ailton Monteiro


Mondo Hawks

1 . ONDE COMEÇA O INFERNO | Howard Hawks – 9,56
2 . PARAÍSO INFERNAL | Howard Hawks – 9,17
3 . RIO VERMELHO | Howard Hawks – 8,83
4 . OPERAÇÃO FRANÇA | William Friedkin – 8,78
5 . SCARFACE | Brian De Palma – 8,64
6 . HATARI! | Howard Hawks – 8,63
7 . À BEIRA DO ABISMO | Howard Hawks – 8,56
8 . JEJUM DE AMOR | Howard Hawks – 8,53
9 . EL DORADO | Howard Hawks – 8,53
10 . O ESPORTE FAVORITO DOS HOMENS | Howard Hawks – 8,47
11 . LEVADA DA BRECA | Howard Hawks – 8,46
12 . PAIXÃO E SANGUE | Josef von Sternberg – 8,43
13 . UMA AVENTURA NA MARTINICA | Howard Hawks – 8,39
14 . SCARFACE – A VERGONHA DE UMA NAÇÃO | Howard Hawks – 8,33
15 . SUPREMA CONQUISTA | Howard Hawks – 8,25
16 . BOLA DE FOGO | Howard Hawks – 8,19
17 . O INVENTOR DA MOCIDADE | Howard Hawks – 8,09
18 . DUAS ALMAS SE ENCONTRAM | Howard Hawks – 7,93
19 . RIO LOBO | Howard Hawks – 7,86
20 . SARGENTO YORK | Howard Hawks – 7,79
21 . OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS | Howard Hawks – 7,76
22 . MEU FILHO É MEU RIVAL | Howard Hawks – 7,75
23 . ADÃO E EVA… | Howard Hawks – 7,50
24 . O PROSCRITO | Howard Hughes – 7,50
25 . MONSTRO DO ÁRTICO | Christian Nyby – 7,32
26 . A GIRL IN EVERY PORT | Howard Hawks – 7,31
27 . A NOIVA ERA ELE | Howard Hawks – 7,17
28 . A CANÇÃO PROMETIDA | Howard Hawks – 7,07
29 . ÁGUIAS AMERICANAS | Howard Hawks – 7,00
30 . FAZIL | Howard Hawks – 6,93
31 . TERRA DOS FARAÓS | Howard Hawks – 6,67
*** . A PATRULHA DA MADRUGADA | Howard Hawks – 8,00
*** . O RIO DA AVENTURA | Howard Hawks – 8,00
*** . PAID TO LOVE | Howard Hawks – 6,00
*** . PÁGINAS DA VIDA | Vários Diretores – 7,30
*** . CAMINHO DA GLÓRIA | Howard Hawks – 7,00
*** . FAIXA VERMELHA 7000 | Howard Hawks – 6,63
*** . DELIRANTE | Howard Hawks – 7,50
*** . VIVA VILLA! | Jack Conway – 6,50
*** . TIGER SHARK | Howard Hawks – 8,17
*** . HERÓIS DO AR | Howard Hawks – 8,17
*** . THE CRIMINAL CODE | Howard Hawks – 7,33
*** . PILOTO DE PROVAS | Victor Fleming – 8,00
*** . VIVAMOS HOJE | Howard Hawks – 6,25
*** . CORVETAS EM AÇÃO | Richard Rosson – 8,00
*** . ESPELHOS D’ALMA | Howard Hawks – 7,00
*** . PATRULHA DA MADRUGADA | Edmund Goulding – 7,00
*** . THE PRIZEFIGHTER AND THE LADY | W.S. Van Dyke – 7,00
*** . THE CRADLE SNATCHERS | Howard Hawks – 6,00
*** . A VERDADE ACIMA DE TUDO | Chester Bennett & Albert Ray – Sem Nota
*** . INDIANAPOLIS SPEEDWAY | Lloyd Bacon – Sem Nota
*** . LA FOULE HURLE | Howard Hawks – Sem Nota
*** . THE AIR CIRCUS | Howard Hawks – Sem Nota
*** . TRENT’S LAST CASE | Howard Hawks – Sem Nota

Ranking Geral

1 . UM CORPO QUE CAI | Alfred Hitchcock – 9,69
2 . A PALAVRA | Carl Theodor Dreyer – 9,67
3 . JANELA INDISCRETA | Alfred Hitchcock – 9,65
4 . ONDE COMEÇA O INFERNO | Howard Hawks – 9,56
5 . PSICOSE | Alfred Hitchcock – 9,55
6 . TRÊS HOMENS EM CONFLITO | Sergio Leone – 9,54
7 . O PODEROSO CHEFÃO II | Francis Ford Coppola – 9,44
8 . TAXI DRIVER | Martin Scorsese – 9,43
9 . O PODEROSO CHEFÃO | Francis Ford Coppola – 9,35
10 . QUANTO MAIS QUENTE MELHOR | Billy Wilder – 9,35
11 . PERSONA | Ingmar Bergman – 9,32
12 . MORANGOS SILVESTRES | Ingmar Bergman – 9,26
13 . GRITOS E SUSSURROS | Ingmar Bergman – 9,25
14 . OS IMPERDOÁVEIS | Clint Eastwood – 9,20
15 . PARAÍSO INFERNAL | Howard Hawks – 9,17
16 . OS PÁSSAROS | Alfred Hitchcock – 9,16
17 . O LEOPARDO | Luschino Visconti – 9,13
18 . PULP FICTION | Quentin Tarantino – 9,13
19 . MISTÉRIOS DE LISBOA | Raoul Ruiz – 9,00
20 . COMO ERA VERDE O MEU VALE | John Ford – 9,00
21 . TOY STORY 2 | John Lasseter – 9,00
22 . APARAJITO | Satyajit Ray – 9,00
23 . CABRA MARCADO PARA MORRER | Eduardo Coutinho – 8,98
24 . APOCALIPSE NOW | Francis Ford Coppola – 8,98
25 . VIRIDIANA | Luis Bunuel – 8,96